EUA e China prorrogam trégua comercial até janeiro antes de encontro entre Trump e Xi
Trégua que terminaria em novembro foi prorrogada por dois meses enquanto os dois países negociam um acordo mais amplo. Decisão foi anunciada pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, antes da reunião entre Trump e Xi Jinping
Foto: Evelyn Hockstein/Reuters Estados Unidos e China decidiram estender por dois meses a atual trégua comercial entre os dois países. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (23) pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, um dia antes do encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping.
O acordo, que expiraria em 10 de novembro, permanecerá em vigor até janeiro. Segundo Bessent, a prorrogação permitirá que Washington e Pequim tenham mais tempo para negociar um eventual entendimento comercial de maior alcance.
A declaração ocorreu após uma nova rodada de conversas entre representantes dos dois governos. Bessent afirmou que se reuniu novamente com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, em Washington.
“Nos reunimos hoje para ver se conseguiríamos fazer um acordo maior, em vez de apenas uma série de medidas menores”, afirmou o secretário do Tesouro à Fox News.
Negociações antes da cúpula
As reuniões entre as equipes econômicas dos dois países ocorreram na preparação para a cúpula entre Trump e Xi, marcada para esta quinta-feira (24), nos Estados Unidos. Xi chegou ao país nesta quarta.
De acordo com Bessent, Pequim apresentou a possibilidade de um acordo comercial mais amplo durante as negociações realizadas no domingo, mas os detalhes ainda não foram divulgados.
As conversas também trataram do cumprimento de compromissos assumidos no atual acordo. Bessent afirmou que a China vem cumprindo a previsão de comprar 25 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos, mas ainda está abaixo da meta de US$ 17 bilhões em outros produtos agrícolas.
Autoridades americanas também afirmaram que as compras chinesas de terras raras estão abaixo do esperado.
Possíveis novos acordos
A reunião entre Trump e Xi poderá tratar de uma série de temas econômicos. Entre as possibilidades citadas por Bessent está a redução ou eliminação de tarifas sobre aproximadamente US$ 30 bilhões em produtos considerados não essenciais, além de negociações envolvendo serviços financeiros e compras agrícolas.
O secretário do Tesouro também afirmou que os dois governos concordaram em criar uma linha direta para comunicação sobre incidentes relacionados à inteligência artificial.
A iniciativa ocorre em meio à disputa tecnológica entre as duas potências. Segundo analistas ouvidos pela Reuters, ainda existem dúvidas sobre o nível de cooperação possível no setor devido à falta de confiança entre os governos.
Trégua reduziu tarifas
A atual distensão comercial começou a ser construída durante negociações realizadas em Busan, na Coreia do Sul, em maio. O entendimento reduziu significativamente as tarifas aplicadas entre os dois países, depois de uma escalada de medidas comerciais promovidas durante o governo Trump.
A China também concordou em retomar o fluxo de exportações de ímãs de terras raras e outros minerais considerados estratégicos para a indústria americana.
Com a extensão anunciada nesta quarta-feira, as negociações entre Washington e Pequim terão mais tempo para avançar antes de uma possível definição sobre um acordo mais amplo.
Fonte: Reuters




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