Reino Unido, França e outros dez países anunciam sanções a assentamentos israelenses na Cisjordânia
Grupo afirma que expansão das comunidades israelenses ameaça a solução de dois Estados; Israel reage e anuncia fechamento do consulado britânico em Jerusalém Oriental
Arpad Kurucz/Anadolu via Getty Images Reino Unido, França e outros dez países anunciaram nesta terça-feira (8) novas medidas contra os assentamentos israelenses na Cisjordânia. Em uma declaração conjunta, os governos afirmaram que a expansão dessas comunidades está comprometendo as possibilidades de criação de um Estado palestino e contribuindo para o aumento da tensão na região.
As medidas serão adotadas individualmente pelos países envolvidos e terão como foco as relações comerciais com produtos provenientes dos assentamentos, considerados ilegais pelo direito internacional e pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Integram o grupo Canadá, Dinamarca, Finlândia, França, Islândia, Irlanda, Noruega, Polônia, Portugal, Espanha, Suécia e Reino Unido.
Reino Unido anuncia restrições comerciais
O governo britânico anunciou que passará a proibir a importação de produtos provenientes de assentamentos israelenses considerados ilegais na Cisjordânia. O Reino Unido também informou que adotará medidas contra colonos israelenses classificados como extremistas.
Os assentamentos são comunidades construídas por Israel em áreas da Cisjordânia ocupadas militarmente desde 1967. O território é reivindicado pelos palestinos como parte de um futuro Estado independente.
A região abriga cerca de 150 assentamentos e concentra uma população israelense que cresceu nas últimas décadas. Entre os produtos associados à atividade econômica dessas comunidades estão itens agrícolas como azeite de oliva, tâmaras, vinho e especiarias.
Em comunicado conjunto, os 12 países afirmaram que a expansão dos assentamentos “mina as possibilidades” de uma solução baseada na existência de dois Estados.
Os governos também declararam oposição a ações que consideram equivalentes à anexação de territórios palestinos e ao deslocamento forçado da população.
Israel reage e fecha consulado britânico
O governo de Israel classificou as sanções como uma interferência em seus assuntos internos e anunciou uma medida de retaliação contra o Reino Unido.
O país decidiu fechar o Consulado Britânico em Jerusalém Oriental, representação responsável por assuntos relacionados à Cisjordânia e à Faixa de Gaza.
A proposta de fechamento partiu do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, integrante da ala mais radical do governo de Benjamin Netanyahu e um dos principais defensores da expansão dos assentamentos israelenses.
O presidente de Israel, Isaac Herzog, criticou a decisão dos governos estrangeiros e chamou as sanções de “um erro de cálculo grave”.
Herzog defendeu que as divergências sejam resolvidas por meio de negociações, e não de sanções ou boicotes.
Países reafirmam apoio à criação de um Estado palestino
Apesar das medidas contra Israel, os governos que anunciaram as sanções também afirmaram reconhecer as preocupações legítimas de segurança do país.
No comunicado, os 12 países condenaram novamente o ataque do Hamas de 7 de outubro e disseram que continuarão combatendo o antissemitismo.
Ao mesmo tempo, reafirmaram o compromisso com a criação de um Estado palestino e com uma solução de dois Estados para o conflito entre israelenses e palestinos.
A questão dos assentamentos permanece entre os principais pontos de divergência nas negociações de paz. A comunidade internacional considera que a expansão das comunidades israelenses em território palestino dificulta a formação de um Estado palestino territorialmente viável.
Tensão cresce na Cisjordânia
A decisão ocorre em um período de aumento da violência na Cisjordânia. O avanço de novos assentamentos e episódios envolvendo colonos israelenses e moradores palestinos têm ampliado a tensão na região.
Para os países que anunciaram as medidas, a expansão das comunidades israelenses representa um obstáculo direto para qualquer tentativa de retomada de negociações de paz.
A resposta israelense, com o fechamento do consulado britânico, eleva ainda mais o nível de tensão diplomática entre Israel e alguns de seus principais parceiros ocidentais.
O episódio também mostra como a questão dos assentamentos voltou a ocupar posição central nas relações entre Israel e países europeus, em meio à pressão internacional por uma solução para o conflito e pela criação de um Estado palestino.
*Com informações do g1




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