Colômbia reconhece soberania de Israel sobre Colinas de Golã e provoca reação de países árabes
Decisão de Abelardo de la Espriella foi anunciada no início do novo governo e coloca a Colômbia em alinhamento com os Estados Unidos sobre uma das áreas mais disputadas do Oriente Médio
Foto: Pexels O novo presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, provocou uma crise diplomática nos primeiros dias de seu governo ao reconhecer a soberania de Israel sobre as Colinas de Golã, território reivindicado pela Síria e ocupado por Israel desde a década de 1970.
A decisão foi anunciada na noite de segunda-feira (10) pelo Ministério das Relações Exteriores colombiano, em meio aos esforços do governo para responder aos impactos de um terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o oeste do país.
Segundo o governo colombiano, o reconhecimento da soberania israelense sobre Golã seria uma medida considerada “essencial” para a defesa de Israel e de seus cidadãos.
A região é uma área montanhosa localizada no sudoeste da Síria. Israel tomou o controle de parte do território durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e anunciou sua anexação em 1981. A medida, porém, não é reconhecida pela maior parte da comunidade internacional.
A decisão colombiana provocou reação imediata de países árabes. A Liga Árabe, formada por 22 países, rejeitou o posicionamento de Bogotá e reafirmou a soberania da Síria sobre as Colinas de Golã.
Países como Arábia Saudita, Catar, Egito, Turquia, Iêmen, Jordânia, Líbia e Líbano também divulgaram manifestações contrárias à decisão.
O governo sírio, liderado por Ahmed al-Sharaa, condenou o reconhecimento e rejeitou a posição colombiana.
Colômbia se alinha aos EUA
Com a decisão, a Colômbia se tornou apenas o segundo país-membro da ONU a reconhecer formalmente a soberania israelense sobre as Colinas de Golã.
O primeiro foi os Estados Unidos, que adotaram essa posição em 2019, durante o primeiro mandato de Donald Trump.
O posicionamento também reforça a aproximação do novo governo colombiano com Israel e com setores conservadores da política internacional.
O ex-presidente colombiano Gustavo Petro, que deixou o cargo na semana passada, criticou a decisão e afirmou que o reconhecimento poderia representar uma espécie de “cobrança” de Israel pela eleição de Espriella. Até o momento, porém, não há confirmação dessa alegação.
A decisão ocorre em um momento de forte tensão no Oriente Médio e coloca o novo governo colombiano diante de um dos primeiros grandes desafios diplomáticos de sua gestão.




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