Em ato na Paulista, Haddad cobra quebra de sigilos do caso Master e promete “passar o país a limpo”
Candidato ao governo de São Paulo participou de manifestação do PT ao lado de Alckmin e defendeu divulgação integral de informações das investigações
Foto: Reprodução TV Globo O candidato ao Governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) colocou o caso Banco Master no centro de seu discurso durante um ato do PT realizado neste domingo (13), na Avenida Paulista, em São Paulo.
Ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), Haddad defendeu a quebra de todos os sigilos relacionados às investigações, incluindo os dados armazenados nos celulares do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo o candidato, a divulgação das informações é necessária para esclarecer as relações envolvendo o Banco Master e seus personagens. Haddad afirmou que, quanto mais documentos forem tornados públicos, maior será a possibilidade de identificar os envolvidos no caso.
“Quanto mais luz nós jogarmos sobre o problema, mais vai ficar claro quem é quem nessa história”, declarou.
Haddad também afirmou que a abertura dos dados do celular de Vorcaro poderia permitir, segundo sua avaliação, que o país chegasse às eleições de primeiro turno com mais informações sobre o escândalo.
“Se nós levantarmos agora o sigilo dos celulares do Vorcaro, eu acho que nós vamos ter a oportunidade de passar esse país a limpo ainda no primeiro turno”, disse.
Ato do PT teve baixa adesão por causa da chuva
A manifestação ocorreu sob chuva e teve participação abaixo do esperado. Mesmo assim, o caso Master dominou parte das declarações dadas pelos principais nomes do PT presentes no evento.
Haddad também foi questionado sobre críticas de setores da esquerda de que adversários estariam tentando vincular politicamente o escândalo ao campo progressista.
O candidato rejeitou essa estratégia e defendeu que o partido não tente se afastar do caso.
Segundo Haddad, documentos que já vieram a público indicariam uma aproximação entre integrantes do bolsonarismo e pessoas ligadas ao esquema investigado no Banco Master.
Haddad cita supostos alertas a Campos Neto
Durante conversa com jornalistas, Haddad também comentou referências ao ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto em documentos que passaram a ser divulgados no âmbito do caso.
O petista afirmou ter recebido relatos de integrantes do sistema financeiro de que Campos Neto teria sido alertado ao longo de 2024 sobre operações consideradas suspeitas envolvendo o Banco Master.
Segundo Haddad, representantes do Fundo Garantidor de Créditos e outros agentes do mercado financeiro teriam procurado o Banco Central para demonstrar preocupação com a atuação da instituição.
O ex-ministro da Fazenda afirmou que, de acordo com as informações que recebeu, esses alertas não teriam provocado uma reação considerada suficiente por parte da autoridade monetária.
As declarações, no entanto, foram apresentadas por Haddad como informações que lhe teriam sido repassadas, e não como uma conclusão própria de investigação oficial.
Alckmin também defende divulgação de documentos
Geraldo Alckmin acompanhou a cobrança pela abertura das informações.
O vice-presidente afirmou que a sociedade espera uma investigação rigorosa e a divulgação dos elementos que permanecem sob sigilo.
“Apuração rigorosa e a busca da verdade”, declarou Alckmin.
Ele também fez uma associação política entre o Banco Master e o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que o banco surgiu durante aquela administração e que Vorcaro teria se consolidado como banqueiro no mesmo período.
Alckmin ressaltou ainda que a liquidação do Banco Master ocorreu durante o atual governo.
Caso Master ganha espaço na disputa eleitoral paulista
O ato na Paulista aconteceu em meio à corrida eleitoral de 2026 e marcou mais um momento em que o caso Banco Master passou a ser utilizado no debate político.
Haddad disputa o governo de São Paulo e aproveitou a manifestação para defender uma postura de maior transparência sobre as investigações.
O petista também criticou qualquer tentativa de deixar documentos sob sigilo e afirmou que a sociedade precisa ter acesso às informações para avaliar responsabilidades.
O caso envolve uma série de investigações sobre operações financeiras do Banco Master e as relações mantidas por Daniel Vorcaro com empresários, políticos e autoridades.
As apurações ainda estão em andamento, e as informações divulgadas até o momento não representam, por si só, uma conclusão sobre a responsabilidade criminal dos envolvidos.
O ato deste domingo reforçou a estratégia de Haddad de colocar a transparência e o caso Master no centro de seu discurso político durante a campanha pelo Palácio dos Bandeirantes.




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