EUA dizem que domínio sobre as Américas “nunca mais será questionado” e dita prisão de Maduro

EUA dizem que domínio sobre as Américas “nunca mais será questionado” e dita prisão de Maduro

Departamento de Estado resgata Doutrina Monroe e afirma que política de predominância americana no Hemisfério Ocidental continua sendo estratégica para o governo Trump


EUA dizem que domínio sobre as Américas “nunca mais será questionado” e dita prisão de Maduro Foto: Kylie Cooper/Reuters

O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou nesta terça-feira (11) um vídeo em que afirma que o domínio americano sobre o Hemisfério Ocidental “nunca mais será questionado”. A publicação resgata a chamada Doutrina Monroe, criada no século XIX, e apresenta a política como um dos pilares da estratégia dos Estados Unidos para as Américas.

O vídeo foi divulgado em um momento de crescente atenção do governo de Donald Trump à América Latina. A gravação cita, como exemplo recente da aplicação da doutrina, a operação dos Estados Unidos que capturou o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro deste ano.

Maduro foi levado para os Estados Unidos, onde responde a acusações de narcoterrorismo e permanece preso em Nova York.

“A Doutrina Monroe moldou a política externa dos EUA por mais de dois séculos. O domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”, afirma a legenda publicada pelo Departamento de Estado.

O que é a Doutrina Monroe?

A Doutrina Monroe foi apresentada em 1823 pelo então presidente americano James Monroe. A ideia central era impedir novas tentativas de colonização ou interferência de potências europeias nas Américas.

O princípio ficou conhecido pela expressão “América para os americanos”. Ao longo dos séculos seguintes, porém, a política também passou a ser associada à expansão da influência e da presença dos Estados Unidos sobre países latino-americanos.

No vídeo, o Departamento de Estado afirma que uma política inicialmente voltada a alertar países europeus evoluiu para uma estratégia de domínio regional e continua sendo uma “pedra angular” da atuação americana no continente.

A publicação cita episódios históricos como a independência do Panamá, em 1903, quando os Estados Unidos apoiaram a separação do território da Colômbia e posteriormente obtiveram um acordo para construir, operar e defender o Canal do Panamá.

Outro episódio lembrado é a crise dos mísseis de Cuba, em 1962, quando o então presidente John F. Kennedy enfrentou a instalação de mísseis soviéticos na ilha.

Intervenções na América Latina ficam fora do vídeo

Apesar de apresentar diferentes momentos da atuação americana no continente, o material divulgado pelo Departamento de Estado não menciona diversas intervenções dos Estados Unidos na América Latina durante o século XX.

A atuação americana na região incluiu apoio a governos e grupos políticos em diferentes países durante a Guerra Fria, período marcado pela disputa de influência entre Washington e Moscou e pela ascensão de regimes autoritários em partes da América Latina.

Trump promete ampliar influência na região

A retomada do discurso sobre a Doutrina Monroe ocorre após o governo Trump estabelecer uma estratégia de política externa com maior foco no Hemisfério Ocidental.

Em dezembro de 2025, a Casa Branca apresentou um documento no qual afirma que pretende reajustar a presença militar americana em diferentes regiões para enfrentar o que considera ameaças urgentes no continente.

Entre os objetivos estão o aumento da presença da Guarda Costeira e da Marinha em rotas marítimas, o combate à imigração ilegal e ao tráfico de drogas e pessoas, o reforço das fronteiras e o combate aos cartéis.

O documento também prevê a ampliação do acesso dos Estados Unidos a locais considerados estratégicos na região.

Segundo a estratégia, Washington pretende “reafirmar e aplicar a Doutrina Monroe” para recuperar a predominância americana no Hemisfério Ocidental.

O principal foco estratégico apontado pelo governo é conter a expansão da influência chinesa na América Latina.

A nova abordagem representa uma tentativa de ampliar a presença política, econômica e militar dos Estados Unidos no continente e reforça a prioridade dada pelo governo Trump à região.




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