Bashar al-Assad é condenado à morte na Síria por crimes de guerra e contra a humanidade
Ex-ditador está asilado na Rússia desde a queda do regime, em 2024, e não deve cumprir a pena tão cedo; Moscou teria de entregá-lo às autoridades sírias
Foto: Reuters via BBC Um tribunal da Síria condenou à morte nesta terça-feira (11) o ex-ditador Bashar al-Assad, responsabilizado por crimes de guerra e contra a humanidade cometidos durante os anos de conflito civil no país. A decisão é a primeira condenação judicial contra Assad desde a queda de seu regime, em dezembro de 2024.
Assad não participou do julgamento. Depois de perder o poder, ele deixou a Síria e recebeu asilo na Rússia, onde permanece atualmente. Por isso, apesar da sentença, a execução está distante de acontecer.
Para que a pena seja cumprida, a Síria precisaria conseguir que o governo russo entregasse o ex-presidente às autoridades do país. Até o momento, Moscou não demonstrou disposição para extraditar Assad.
O tribunal também condenou à morte Atef Najib, primo de Assad e ex-chefe da Segurança Política na província de Deraa. Ele estava presente no julgamento e acompanhou a leitura da sentença usando uniforme prisional.
Deraa é considerada o ponto de partida da revolta que, em 2011, desencadeou a guerra civil síria. Protestos começaram depois da prisão e suposta tortura de adolescentes acusados de escrever mensagens contra o governo. A repressão das forças de segurança contribuiu para a expansão das manifestações e, posteriormente, para o conflito armado.
Acusações contra o regime
Bashar al-Assad chegou ao poder em 2000, após a morte de seu pai, Hafez al-Assad, que governava a Síria desde 1971.
Seu governo foi marcado por forte repressão à oposição, especialmente após o início da guerra civil. O regime foi acusado de assassinatos, tortura, desaparecimentos forçados, execuções e ataques contra civis, além do uso de armas químicas.
Um dos principais símbolos da repressão foi a prisão de Saydnaya, próxima a Damasco. Organizações de direitos humanos documentaram casos de tortura, execuções e desaparecimentos de pessoas mantidas no local.
O conflito sírio provocou centenas de milhares de mortes e obrigou milhões de pessoas a abandonar suas casas.
Apoio da Rússia foi decisivo para Assad
A permanência de Assad no poder contou com forte apoio da Rússia. Em 2015, quando o regime enfrentava uma série de derrotas e havia perdido o controle de grandes áreas do território, Moscou iniciou uma campanha de ataques aéreos para apoiar as forças governamentais.
Com apoio militar russo e auxílio do Irã e de grupos aliados, como o Hezbollah, o governo sírio conseguiu recuperar importantes territórios controlados por forças opositoras.
A Rússia também mantinha interesses estratégicos na Síria, incluindo instalações militares e influência política no Oriente Médio.
O cenário começou a mudar no fim de 2024, quando o grupo rebelde Hayat Tahrir al-Sham (HTS) e facções aliadas avançaram rapidamente pelo país. Em apenas 12 dias, os rebeldes derrubaram o governo de Assad, encerrando 13 anos de guerra civil.
Assad fugiu para a Rússia após a queda de Damasco e recebeu asilo em Moscou.
Sentença pode não ser cumprida
A nova liderança síria já havia emitido um mandado de prisão contra Assad e solicitado sua extradição. Agora, com a condenação à morte, a questão central passa a ser se a Rússia aceitará entregá-lo.
Sem Assad sob custódia da Justiça síria, a sentença não pode ser executada.
Outros integrantes do antigo regime também foram condenados à morte. Entre eles estão seis ex-integrantes das forças militares e de segurança, incluindo Maher al-Assad, irmão mais novo de Bashar e antigo comandante da 4ª Divisão do Exército. Ele também teria fugido para a Rússia após a queda do regime.
O ex-ministro da Defesa Fahd al-Freij está entre os demais condenados.
Do lado de fora do tribunal, centenas de pessoas comemoraram a decisão carregando fotografias de familiares mortos durante o governo de Assad. Para vítimas e familiares, a sentença representa uma tentativa de responsabilização pelos crimes cometidos durante os anos de repressão e guerra.
*Com informações da BBC News




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