República Democrática do Congo ultrapassa mil casos de ebola e enfrenta avanço da doença em campos de deslocados
País já registra 1.003 casos e 254 mortes. Autoridades alertam para possível transmissão não detectada em acampamentos superlotados e com graves problemas de saneamento
Foto: Ilustração Inteligência Artificial A República Democrática do Congo confirmou neste domingo (21) a marca de 1.003 casos de ebola e 254 mortes provocadas pela doença desde o início do atual surto, declarado oficialmente em maio deste ano.
O avanço da epidemia tem gerado preocupação crescente entre autoridades de saúde e organizações humanitárias, especialmente na província de Ituri, no leste do país, onde está concentrada a maior parte das infecções.
A situação é considerada especialmente grave no campo de deslocados de Kigonze, localizado nos arredores da cidade de Bunia, atual epicentro do surto. O local abriga mais de 15 mil pessoas que fugiram da violência de grupos armados na região.
Nos últimos dias, o número de mortes registradas no acampamento aumentou de forma incomum. Segundo lideranças locais, apenas nesta semana dez moradores foram enterrados, quando a média histórica era de uma a três mortes por mês.
Profissionais de saúde conseguiram realizar exames em parte das vítimas e confirmaram casos positivos para ebola. Trabalhadores humanitários afirmam que muitas das pessoas que morreram apresentavam sintomas compatíveis com a doença, como febre alta, dores de cabeça e vômitos.
A preocupação das autoridades é que o vírus esteja circulando de forma mais ampla do que os números oficiais conseguem identificar. Até recentemente, familiares e moradores resistiam à realização de testes em pacientes e cadáveres, dificultando o rastreamento da transmissão.
Outro fator que agrava a situação é a precariedade das condições sanitárias. Famílias inteiras vivem em barracas improvisadas separadas por poucos metros, enquanto banheiros insuficientes e frequentemente transbordando aumentam o risco de propagação de doenças infecciosas.
O ebola é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais contaminados, como sangue, vômito e fezes. Em ambientes superlotados e sem infraestrutura adequada, o risco de disseminação do vírus cresce significativamente.
Organizações internacionais também alertam para a redução dos recursos destinados a água, saneamento e higiene na República Democrática do Congo. Dados das Nações Unidas indicam que os investimentos no setor caíram drasticamente nos últimos anos, afetando programas essenciais de prevenção.
A província de Ituri concentra mais de 90% dos casos confirmados do atual surto. Equipes de saúde seguem ampliando a testagem, o rastreamento de contatos e as ações de conscientização, mas enfrentam dificuldades causadas pela insegurança, deslocamentos populacionais e limitações estruturais.
O atual surto é provocado pela cepa Bundibugyo do vírus Ebola, uma variante menos comum, mas que tem apresentado rápida disseminação em áreas vulneráveis do país africano.
*Com informações do g1
*Com informações do g1




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