A sombra da prisão ronda o Buriti

Ministro da Fazenda fala em possível prisão de Ibaneis Rocha e amplia a pressão sobre os responsáveis pelas decisões que levaram o banco à crise


A sombra da prisão ronda o Buriti Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por muito tempo, a crise do BRB foi tratada como um problema técnico, restrito aos gabinetes, balanços e reuniões de emergência. Agora, ela começa a ganhar contornos políticos cada vez mais pesados.

Em entrevista ao Valor Econômico, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, elevou o tom e colocou o ex-governador Ibaneis Rocha no centro da tempestade que envolve o Banco de Brasília. Mais do que apontar responsabilidades administrativas, o ministro afirmou que o ex-chefe do Executivo local está sendo investigado e sugeriu que as apurações podem ter desdobramentos ainda mais graves.

A declaração expõe uma mudança importante na narrativa do governo federal. Se antes a discussão girava em torno da saúde financeira do banco, agora o foco passa a ser a origem das decisões que levaram a instituição a enfrentar uma crise que exige uma operação bilionária de socorro.

Para Durigan, o problema não nasceu no mercado financeiro. Nasceu dentro da política.

O ministro sustenta que a situação do BRB é consequência de escolhas feitas durante a gestão anterior do Distrito Federal e que eventual prejuízo não pode ser transferido para os contribuintes de todo o país. Em outras palavras: quem criou o problema deve assumir a conta.

A fala ocorre justamente no momento em que o BRB busca apoio financeiro para enfrentar os efeitos da crise envolvendo operações ligadas ao Banco Master. Enquanto o Fundo Garantidor de Créditos prepara um possível empréstimo bilionário para evitar o agravamento do cenário, cresce a pressão para identificar quem autorizou, supervisionou ou se beneficiou das decisões que colocaram o banco nessa situação.

Nos bastidores de Brasília, a avaliação é que a crise deixou de ser apenas financeira. Ela passou a ser também política, eleitoral e jurídica.

O caso ameaça atingir diretamente um dos principais nomes da política do Distrito Federal nos últimos anos. E, à medida que novas informações surgem, a pergunta deixa de ser apenas quanto custará salvar o banco.

A questão agora é quem será responsabilizado pela conta.




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