Trump reabre disputa pelas Malvinas e Milei aumenta pressão sobre o Reino Unido
Trump reabre disputa pelas Malvinas, e Milei aumenta pressão sobre o Reino Unido
• Tomas Cuesta/Getty Images A disputa entre Argentina e Reino Unido pela soberania das Ilhas Malvinas voltou ao centro do cenário internacional após Donald Trump afirmar que está reavaliando a posição dos Estados Unidos sobre o arquipélago.
A declaração do presidente americano deu novo impulso à ofensiva do presidente argentino, Javier Milei, que voltou a pressionar Londres pela soberania das ilhas e anunciou medidas contra empresas envolvidas em projetos de exploração de petróleo na região.
Em discurso transmitido em rede nacional, Milei afirmou que existem “ventos de mudança” favoráveis à reivindicação argentina e anunciou o endurecimento das sanções contra empresas que atuem nas Malvinas sem autorização argentina. O governo também pretende ampliar as medidas legais contra companhias, fornecedores e investidores envolvidos em atividades consideradas uma violação da soberania argentina.
Milei também anunciou a construção de uma base naval na Terra do Fogo, no extremo sul da Argentina. A iniciativa pretende ampliar a presença militar argentina no Atlântico Sul e ocorre em um momento de aumento da tensão diplomática em torno do arquipélago.
Reino Unido reage
O governo britânico respondeu nesta sexta-feira (4) e reafirmou que sua posição sobre as Malvinas é “inabalável”.
O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Ed Miliband, afirmou que as ilhas são britânicas e continuarão sendo porque essa é a posição da maioria esmagadora de seus habitantes. Segundo o governo britânico, o direito de autodeterminação dos moradores deve ser respeitado.
O ministro da Defesa britânico, Wes Streeting, também criticou as declarações de Milei e afirmou que o discurso do presidente argentino está mais relacionado à política interna da Argentina do que à situação das ilhas.
A reação britânica ocorre depois de Trump ter colocado em dúvida o compromisso de Londres com uma eventual nova disputa militar pelas ilhas. Em entrevista à GB News, o presidente americano questionou se o Reino Unido teria capacidade para lutar novamente pelo arquipélago.
Trump, no entanto, ainda não anunciou qualquer mudança formal na posição dos Estados Unidos. Ao ser questionado sobre a possibilidade de revisão da política americana, afirmou que costuma reavaliar todas as posições e que a questão das Malvinas era apenas uma entre várias em análise.
O petróleo aumenta a tensão
Além da disputa territorial, a exploração de petróleo passou a ocupar um papel central no novo capítulo da crise.
Empresas britânicas e israelenses estão envolvidas no projeto Sea Lion, localizado nas proximidades das ilhas. A região possui uma estimativa de 1,7 bilhão de barris de petróleo, o que aumenta o interesse econômico sobre o território disputado.
Milei considera a exploração uma ameaça aos interesses estratégicos argentinos e pretende endurecer as punições contra empresas envolvidas nas atividades.
As companhias, por outro lado, afirmam possuir licenças válidas para a exploração e avaliam que as novas medidas argentinas não devem alterar, neste momento, o cronograma de desenvolvimento do projeto.
Uma disputa que atravessa gerações
A Argentina reivindica as Malvinas principalmente com base em argumentos históricos e geográficos. O arquipélago está localizado a cerca de 600 quilômetros da costa da Patagônia argentina e a aproximadamente 13 mil quilômetros do Reino Unido.
Na década de 1820, após a independência da Espanha, a Argentina enviou autoridades para ocupar as ilhas e, em 1829, nomeou um governador para o território.
Quatro anos depois, em 1833, forças britânicas expulsaram as autoridades argentinas e retomaram o controle das ilhas.
A disputa chegou ao campo militar quase 150 anos depois. Em abril de 1982, a Argentina invadiu o arquipélago durante a ditadura militar, dando início à Guerra das Malvinas.
O conflito terminou com vitória britânica após 74 dias de combates. Mais de 900 pessoas morreram, entre militares argentinos, britânicos e moradores das ilhas.
Em 2013, os moradores das Malvinas participaram de um referendo sobre o futuro do território. A ampla maioria votou pela permanência como território britânico.
Apesar disso, a Argentina nunca abandonou sua reivindicação de soberania.
Agora, mais de quatro décadas depois da guerra, a questão volta a ganhar força com a ofensiva de Milei, a exploração de petróleo e a possibilidade de uma mudança na postura de Washington.
Com informações do g1 e Reuters.




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