Alemanha investiga duas suspeitas de sabotagem contra rede elétrica em menos de 24 horas
Casos ocorrem em meio ao aumento das tensões com a Rússia e às vésperas de uma eleição estadual que pode ser marcada pelo avanço da extrema direita
Foto: AFP A Alemanha investiga dois episódios de possível sabotagem contra sua infraestrutura elétrica registrados em menos de 24 horas. Os casos ocorrem em um momento de forte tensão entre Berlim e Moscou e um dia depois de o governo alemão acusar a Rússia de estar por trás de uma tentativa de ataque com drone contra um avião de carga ucraniano no aeroporto de Leipzig/Halle.
Na terça-feira (1º), dispositivos contendo material condutor foram usados para danificar linhas de transmissão em Brandemburgo, no leste do país. No mesmo dia, uma subestação de energia próxima a Bergheim, no oeste da Alemanha, também foi alvo do que a polícia classificou como um ato de “vandalismo premeditado”.
A polícia ainda investiga se os episódios estão relacionados. O ministro do Interior de Brandemburgo, Jan Redmann, afirmou que existem possíveis semelhanças entre os casos, mas ressaltou que as investigações estão em estágio inicial e que nenhuma hipótese sobre os responsáveis foi descartada.
Apesar dos incidentes, não houve interrupção no fornecimento de energia. A empresa Amprion, responsável pela operação de parte da rede elétrica alemã, afirmou que provavelmente houve interferência externa e que a estabilidade do sistema foi preservada.
O episódio de Bergheim, porém, provocou a saída temporária de cinco unidades de usinas termelétricas movidas a lignito, que somam capacidade de 4.200 megawatts. Uma das unidades, de 600 megawatts, já havia sido reconectada.
Suspeitas sobre atuação russa
A investigação acontece em meio a acusações alemãs contra a Rússia. Na terça-feira, o governo afirmou ter concluído que Moscou estava por trás da tentativa de ataque com drone registrada no mês passado no aeroporto de Leipzig/Halle.
A Rússia nega envolvimento e afirma que não existem provas de sua participação. Já a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, declarou nesta quarta-feira (2) que o episódio tinha características de um ato de terrorismo patrocinado por um Estado.
As autoridades alemãs elevaram o nível de alerta para possíveis ataques contra infraestruturas consideradas essenciais. O temor é de uma intensificação da chamada guerra híbrida, que combina ações convencionais com sabotagens, ataques cibernéticos e campanhas de desinformação.
O momento também tem peso político. A Alemanha se prepara para uma eleição estadual em Saxônia-Anhalt neste fim de semana, enquanto pesquisas apontam a AfD, partido de extrema direita que defende uma aproximação com Moscou e o fim do apoio alemão à Ucrânia, na liderança da disputa.
Alexander Throm, presidente da comissão de Assuntos Internos do Parlamento alemão, classificou como “extremamente suspeito” o número de incidentes capazes de afetar o cenário eleitoral.
O ministro Jan Redmann defendeu o reforço da segurança da infraestrutura energética. Segundo ele, depois de semanas de preocupação com a segurança dos aeroportos, a atenção agora se volta para as instalações responsáveis pelo fornecimento de energia.
Com informações do g1 e Reuters.




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