Rússia realiza exercício com mísseis nucleares e exibe arsenal em meio à tensão global
Treinamento militar envolveu lançadores de mísseis, caças, navios e submarinos. Moscou afirma que operação serve para manter forças nucleares em prontidão diante do aumento das tensões internacionais
Foto: Ministério da Defesa da Rússia /Divulgação via REUTERS A Rússia realizou nesta quinta-feira (21) uma série de exercícios militares com armamentos de capacidade nuclear. O Ministério da Defesa russo divulgou vídeos que mostram lançadores de mísseis atravessando florestas, aviões de combate decolando e operações com navios e submarinos.
Segundo Moscou, os treinamentos começaram na terça-feira (19) e ocorreram em território russo e também em Belarus, aliado estratégico do Kremlin.
Em comunicado oficial, o governo russo informou que unidades das forças de mísseis estratégicos foram colocadas em prontidão para possíveis operações envolvendo lançamentos nucleares.
O ministério afirmou ainda que munições nucleares foram transportadas para áreas militares em Belarus como parte do exercício.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, acompanhou as operações por videoconferência ao lado do presidente de Belarus, Alexander Lukashenko.
Durante o pronunciamento, Putin afirmou que os exercícios acontecem em meio ao aumento das tensões internacionais, mas declarou que armas nucleares seriam utilizadas apenas como “último recurso”.
Segundo o Kremlin, este é um dos maiores treinamentos nucleares realizados pelo país nos últimos anos, envolvendo cerca de 64 mil militares.
As imagens divulgadas também mostram o uso do míssil balístico intercontinental RS-28 Sarmat, apelidado pela Otan de “Satanás”.
O armamento foi apresentado por Moscou como um dos sistemas nucleares mais avançados da Rússia. De acordo com autoridades russas, o míssil tem alcance de até 35 mil quilômetros e capacidade para transportar múltiplas ogivas nucleares.
O Sarmat foi desenvolvido para substituir antigos mísseis soviéticos da Guerra Fria e, segundo especialistas, consegue utilizar rotas incomuns, inclusive pelos polos Norte e Sul, dificultando a interceptação por sistemas de defesa antimísseis.
O governo russo afirma ainda que o armamento pode carregar os veículos hipersônicos Avangard, capazes de alterar velocidade e trajetória durante o voo.
Os exercícios acontecem em um momento de forte tensão geopolítica envolvendo Rússia, Otan e países ocidentais por causa da guerra na Ucrânia e do aumento da presença militar no Leste Europeu.




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