Escândalo Master/BRB esvazia festa de Ibaneis com advogados: comemoração de 32 anos vira retrato de isolamento político
Entre denúncias, investigações e o desgaste do caso Master/BRB, celebração que deveria simbolizar retomada política de Ibaneis Rocha expõe sinais de distanciamento, esvaziamento e perda de prestígio nos bastidores de Brasília
Foto: Reprodução O que era para ser uma demonstração de força virou fotografia de constrangimento. A comemoração dos 32 anos de advocacia de Ibaneis Rocha, planejada para projetar prestígio, articulação e retorno triunfal ao meio jurídico, acabou marcada por um sinal político difícil de esconder: cadeiras vazias, mesas desocupadas e clima de evento que não empolgou nem mesmo a base que um dia serviu de vitrine para sua ascensão.
A imagem do encontro fala mais alto do que qualquer discurso. Em vez de multidão, adesão e celebração, o que se vê é um ambiente amplo demais para o público presente, com a sensação incômoda de que a festa foi maior que o prestígio atual do anfitrião.
O evento que deveria celebrar trajetória virou termômetro: o escândalo envolvendo Banco Master e BRB parece ter atravessado a fronteira dos gabinetes, contaminado a política e chegado ao círculo da advocacia.
Ibaneis tentou construir a narrativa de retorno às origens. Em março, chegou a anunciar que reativaria sua carteira da OAB e voltaria à advocacia, destacando seus “aproximadamente 32 anos” de história na profissão e sua passagem pela presidência da OAB-DF entre 2013 e 2015. Também havia dito que completaria 32 anos de advocacia em 17 de maio, usando a data como ativo político para se reposicionar antes da disputa ao Senado.
Mas o roteiro da volta foi atropelado pelo caso Master/BRB.
Relembre o caso
O escândalo deixou de ser ruído e passou a ser crise estrutural. A Polícia Federal prendeu 13 pessoas em operações relacionadas a fraudes no Banco Master e no BRB, incluindo o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. A investigação envolve suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa.
Segundo a Reuters, a apuração aponta suposto esquema de criação e transferência de carteiras de crédito falsas do Banco Master para o BRB. A reportagem informou que Paulo Henrique Costa foi acusado de receber aproximadamente R$ 146,5 milhões em propinas imobiliárias de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Os investigados negam irregularidades.
O tamanho do problema impressiona. A Justiça Federal apontou indícios de participação de executivos do BRB em operações fraudulentas ligadas ao Banco Master, com potenciais perdas superiores a R$ 10 bilhões para o banco público. Entre julho de 2024 e outubro de 2025, o BRB teria transferido R$ 16,7 bilhões ao Master, e parte relevante dos ativos do banco estatal ficou vinculada a essas operações.
Prestígio Esgotado
A crise também respingou diretamente no campo político. Deputados pediram bloqueio de bens de Ibaneis, alegando que o governador teria usado a máquina pública distrital para sustentar operação temerária em benefício de interesses privados. A compra do Banco Master pelo BRB, apadrinhada politicamente por Ibaneis, foi aprovada na Câmara Legislativa, mas acabou barrada pelo Banco Central antes da liquidação do Master.
Também já há novo pedido de impeachment contra Ibaneis no caso Master. A representação aponta suposto crime de responsabilidade e acusa o governador de participação direta na aquisição do Banco Master pelo BRB.
Nesse contexto, a festa esvaziada ganha peso simbólico. Não se trata apenas de baixa presença em um evento social. Trata-se de uma cena política. O meio jurídico, que Ibaneis tenta novamente abraçar como refúgio e plataforma, parece ter respondido com distância. A advocacia, acostumada a ler sinais, percebeu que o abraço público ao ex-governador, neste momento, pode custar caro.
A tentativa de transformar a comemoração em ato de força acabou produzindo o efeito inverso. A cadeira vazia virou manchete. A mesa sem gente virou recado. O silêncio do salão falou mais que os discursos.
O caso Master/BRB corroeu a principal narrativa de Ibaneis: a de gestor experiente, articulado, conhecedor do Direito e capaz de conduzir Brasília com segurança. O que aparece agora é outra imagem: a de um líder tentando voltar para casa, mas encontrando a porta entreaberta, o salão frio e a plateia desconfiada.
A festa dos 32 anos de advocacia deveria marcar uma retomada. Pelo visto, marcou outra coisa: o início visível do isolamento.




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