Governo anuncia proibição das bets no Brasil e prevê prisão de até seis anos
Projeto enviado ao Congresso prevê punições para exploração de apostas, publicidade e atividades ligadas às plataformas. Proposta ainda depende de aprovação dos parlamentares
Foto: Lula Marques/Agência Brasil O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta sexta-feira (25), em São Paulo, um pacote de medidas para proibir as apostas esportivas e os jogos virtuais de azar no Brasil. A iniciativa integra ações econômicas voltadas ao combate ao endividamento das famílias brasileiras.
Segundo informações do g1, o Executivo pretende encaminhar ao Congresso Nacional um projeto de lei para criminalizar a exploração, a operação e a divulgação das chamadas bets. A proposta estabelece penas de prisão e multas para pessoas e empresas envolvidas nessas atividades.
Exploração de apostas poderá resultar em até seis anos de prisão
De acordo com a minuta do projeto obtida pelo g1, explorar ou operar apostas de quota fixa, por qualquer meio, poderá ser punido com reclusão de quatro a seis anos, além de multa.
As punições também poderão alcançar quem oferecer, receber, registrar ou intermediar apostas, além de administrar canais e estabelecimentos destinados à atividade. A proposta prevê a aplicação das penas mesmo quando houver autorização de uma autoridade estrangeira.
Nos casos envolvendo jogos virtuais de azar, como o chamado “jogo do tigrinho”, a pena poderá ser aumentada em um terço.
Publicidade e divulgação também entram na proposta
O texto prevê punições para atividades relacionadas à divulgação das plataformas.
A produção de propaganda, publicidade ou marketing para incentivar apostas poderá resultar em dois a quatro anos de prisão, além de multa. A mesma faixa de pena está prevista para quem recrutar apostadores ou receber dinheiro com esse tipo de publicidade.
A minuta ressalva, porém, conteúdos jornalísticos, informativos, educativos, acadêmicos, científicos ou críticos, que não seriam abrangidos pela criminalização da publicidade.
Dados pessoais e transações financeiras
A proposta também prevê punições para o fornecimento ou a comercialização de listas de dados pessoais utilizadas para direcionar anúncios de apostas.
A pena poderá variar de dois a quatro anos de prisão, com agravantes quando as informações envolverem histórico de perdas, transtornos de jogo diagnosticados ou dados de crianças e adolescentes.
Instituições e agentes que processarem ou armazenarem pagamentos provenientes de apostas, sabendo da origem dos recursos, também poderão ser responsabilizados. Desenvolvedores e distribuidores de aplicativos e plataformas de apostas estão incluídos nas medidas.
Projeto ainda depende do Congresso
Como a proposta trata da criação de crimes e penas, o governo deverá encaminhá-la por meio de um projeto de lei. A Constituição Federal impede que medidas provisórias tratem de matéria penal.
O anúncio ocorre na reta final do primeiro turno das eleições de 2026. Nos últimos dias, Lula intensificou as críticas às plataformas de apostas e relacionou a atividade ao endividamento das famílias.
Durante discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta semana, o presidente afirmou que as bets transformam o vício em lucro e prejudicam famílias brasileiras.




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