Agência da ONU encontra toneladas de material nuclear não declarado na Síria
AIEA afirma que material foi localizado em instalações não declaradas pelo antigo governo de Bashar al-Assad; novas autoridades sírias permitiram acesso de inspetores ao local
Rafael Grossi, diretor da AIEA, na Síria — Foto: SANA/AFP A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) encontrou várias toneladas de material nuclear em uma instalação na Síria que não havia sido declarada pelo governo do ex-presidente Bashar al-Assad. A informação foi divulgada nesta terça-feira (18) pelo diretor-geral da agência, Rafael Grossi.
Segundo Grossi, o material poderia ter sido utilizado para fins ilícitos. A descoberta ocorreu após as novas autoridades sírias comunicarem a existência do local e permitirem que inspetores da AIEA realizassem uma inspeção.
A equipe da agência visitou uma instalação na região de Deir Ezzor, onde foram coletadas amostras para análise. Uma segunda localização relacionada ao material identificado também foi visitada.
Material ficará sob controle internacional
Grossi classificou como uma “decisão corajosa” a iniciativa das novas autoridades sírias de informar a AIEA sobre a existência do material e abrir o local para inspeção.
O chanceler sírio, Asaad al-Shaibani, afirmou que o local clandestino representa um legado do antigo regime. Segundo ele, avaliações técnicas indicam que o material encontrado não representa risco à população.
A previsão é de que o material permaneça na Síria, mas fique submetido ao sistema internacional de salvaguardas da AIEA. O objetivo é permitir que a agência faça o inventário do material e acompanhe sua utilização e armazenamento.
“Estamos começando a virar a página, e virar a página não significa esquecer o passado”, afirmou Grossi ao comentar o processo de transição política no país.
Descoberta ocorre após queda de Assad
A descoberta acontece durante a transição política síria após a queda de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024.
Assad deixou o poder depois de quase 14 anos de guerra civil no país. Uma coalizão rebelde assumiu o governo e, desde então, as novas autoridades vêm buscando reorganizar as instituições sírias e estabelecer relações com organismos internacionais.
A AIEA informou que a visita aos locais ocorreu depois que o novo governo sírio enviou uma carta à agência, em 17 de julho, comunicando a existência das instalações e solicitando a participação dos inspetores internacionais.
A descoberta aumenta a atenção internacional sobre o histórico do programa nuclear sírio e sobre materiais que permaneceram fora do conhecimento e do controle da comunidade internacional durante o antigo regime.
O que acontece agora
Com a autorização para acesso às instalações, a AIEA deverá continuar o trabalho de identificação e análise do material encontrado. As amostras coletadas durante a inspeção serão examinadas para determinar a natureza e a origem dos materiais.
A agência também deverá acompanhar o armazenamento do material dentro do sistema internacional de salvaguardas nucleares.
Até o momento, as autoridades sírias afirmam que não há risco imediato relacionado ao material encontrado.
Com informações da France Presse (AFP).




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