Brasil inicia processo para retaliar tarifaço de Trump e abre caminho para medidas contra os EUA
Governo acionou a Lei da Reciprocidade Econômica após tarifas americanas que elevaram para 37,5% a cobrança sobre produtos brasileiros; processo ainda prevê consultas diplomáticas e análise de possíveis contramedidas
Foto: Agência Brasil O governo brasileiro iniciou nesta quinta-feira (13) o processo para aplicar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos em resposta às tarifas impostas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros.
A medida utiliza a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2025. A legislação permite que o Brasil adote medidas equivalentes contra países que imponham restrições, tarifas ou outras barreiras consideradas injustas aos produtos brasileiros.
O tarifaço americano elevou a cobrança sobre determinadas exportações brasileiras para uma alíquota total de 37,5%, resultado da aplicação de duas tarifas adicionais anunciadas pelo governo dos Estados Unidos.
Uma delas, de 25%, foi justificada pela Casa Branca com acusações de práticas econômicas consideradas desleais. A outra, de 12,5%, está relacionada à fiscalização de produtos associados ao trabalho forçado.
Como funciona o processo
O governo brasileiro adotou o chamado rito ordinário previsto na legislação. O primeiro passo envolve a análise da situação pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Camex).
Caso a possibilidade de reciprocidade seja aprovada, poderá ser criado um grupo de trabalho para definir quais setores e produtos poderiam ser atingidos pelas eventuais contramedidas.
A proposta deverá passar por consulta pública de até 30 dias, permitindo que empresas, setores econômicos e outras partes interessadas apresentem informações e sugestões.
Depois dessa etapa, a proposta retorna à Camex e, posteriormente, caberá ao Conselho Estratégico da Camex tomar a decisão final sobre a aplicação das medidas.
A legislação também permite, em situações consideradas excepcionais, a adoção de contramedidas provisórias de forma imediata.
Brasil também recorreu à OMC
Paralelamente ao processo de reciprocidade, o Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar as tarifas americanas.
O governo brasileiro argumenta que as medidas adotadas pelos Estados Unidos são discriminatórias e unilaterais e violam compromissos assumidos pelos americanos no âmbito da organização.
Os Estados Unidos aceitaram o pedido brasileiro para a realização de consultas na OMC e afirmaram estar disponíveis para discutir o tema com representantes do governo brasileiro.
Negociação diplomática continua
O Ministério das Relações Exteriores também deverá conduzir consultas diplomáticas com o governo americano.
Segundo o governo brasileiro, o objetivo é buscar uma solução negociada que possa reduzir ou eliminar os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos.
A Embaixada do Brasil em Washington deverá notificar oficialmente o governo americano sobre o início do processo de reciprocidade nesta sexta-feira (14), incluindo órgãos como o Departamento de Estado e o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
Apesar da abertura do processo, o governo brasileiro afirma que pretende manter o diálogo e as negociações diplomáticas enquanto avalia quais medidas poderão ser adotadas contra o tarifaço americano.




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