Estados Unidos prorrogam por mais um ano emergência contra o Brasil
Casa Branca mantém decreto de Donald Trump e reafirma críticas ao governo brasileiro, ao STF e à condução da política interna do país
Foto: REUTERS/Carlos Osorio Os Estados Unidos anunciaram a prorrogação, por mais um ano, da emergência nacional em relação ao Brasil. A decisão, divulgada pela Casa Branca nesta terça-feira (29), mantém em vigor a ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump em julho de 2025, que classifica políticas e ações do governo brasileiro como uma ameaça "incomum e extraordinária" à segurança nacional, à política externa e à economia norte-americana.
Com a renovação, a medida permanecerá válida até, pelo menos, 30 de julho de 2027. O comunicado será publicado no Federal Register, o diário oficial do governo dos Estados Unidos, e encaminhado ao Congresso americano.
Na justificativa, a Casa Branca afirma que permanecem as condições que motivaram a edição da Ordem Executiva 14323. Segundo o governo norte-americano, integrantes do governo brasileiro estariam adotando medidas que afetam interesses econômicos dos EUA, restringem a liberdade de expressão de cidadãos americanos e comprometem a atuação de empresas do país.
O documento também volta a criticar decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente relacionadas à remoção de conteúdos em plataformas digitais e à prisão de pessoas por manifestações. Para a administração Trump, essas decisões configurariam práticas de censura.
Além disso, a Casa Branca afirma que um ex-presidente brasileiro, seus familiares e apoiadores estariam sendo alvo de perseguição política, situação que, segundo o governo americano, enfraqueceria o Estado de Direito e representaria violações aos direitos humanos.
Escalada diplomática
A renovação ocorre após um ano de tensão entre Brasília e Washington. Desde a publicação da ordem executiva em 2025, os Estados Unidos abriram investigações comerciais contra o Brasil, elevaram tarifas sobre produtos brasileiros e intensificaram críticas ao STF.
Em resposta, o governo brasileiro iniciou negociações diplomáticas com autoridades americanas e contestou as medidas na Organização Mundial do Comércio (OMC), argumentando que as tarifas violam normas internacionais. O Executivo também reiterou que o Judiciário brasileiro atua de forma independente, posição igualmente defendida pelo STF.
Até a publicação da reportagem, o governo brasileiro ainda não havia se manifestado oficialmente sobre a decisão da Casa Branca.




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