Chefe de gabinete de Milei renuncia após acusação de enriquecimento ilícito e ocultação de patrimônio

Manuel Adorni oficializou sua saída do governo neste sábado (27) enquanto é investigado pela Justiça Federal da Argentina por suposto enriquecimento ilícito e ocultação de bens


Chefe de gabinete de Milei renuncia após acusação de enriquecimento ilícito e ocultação de patrimônio Foto: REUTERS/Tomas Cuesta

O porta-voz do governo argentino, Manuel Adorni, anunciou neste sábado (27) sua saída do cargo em meio a um escândalo envolvendo suposta ocultação de patrimônio e investigação por enriquecimento ilícito.

A demissão foi confirmada pelo próprio Adorni em uma carta publicada nas redes sociais. Na mensagem, ele agradeceu ao presidente Javier Milei pela confiança e afirmou que sua decisão contrariava o desejo do chefe do Executivo.

"Obrigado pela confiança, Sr. Presidente. Foi uma verdadeira honra", escreveu. Em outro trecho da carta, agradeceu a Milei por compreender sua decisão de deixar o governo.

Adorni, considerado um dos auxiliares mais próximos do presidente argentino, passou a ser alvo de investigações após admitir que deixou de declarar cerca de US$ 500 mil (aproximadamente R$ 2,6 milhões) em seu patrimônio. Segundo ele, os recursos seriam provenientes de investimentos em criptomoedas realizados entre 2014 e 2018 e teriam permanecido sem declaração.

A justificativa, porém, entrou em contradição com declarações feitas anteriormente ao Congresso argentino. Em abril, o então porta-voz afirmou aos parlamentares que nunca havia ocultado patrimônio.

Além da suspeita sobre os valores não declarados, a Justiça Federal da Argentina também investiga denúncias relacionadas à compra e reforma de imóveis de alto valor atribuídas ao ex-porta-voz.

Mesmo diante da pressão da oposição e das investigações, Milei manteve apoio público ao aliado até os últimos dias. Durante visita oficial à Espanha, na sexta-feira (26), o presidente afirmou que somente afastaria Adorni caso ele fosse considerado culpado por corrupção pela Justiça.

A saída encerra a trajetória de Adorni no governo iniciada em dezembro de 2023, quando assumiu como porta-voz presidencial. Em novembro de 2025, ele também passou a ocupar funções na chefia de Gabinete.





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