Contrato do PicPay com GDF entra na mira após repasses milionários a escritório ligado a Ibaneis

Investigação apura suspeitas de irregularidades em descontos na folha de servidores do Distrito Federal. Relatórios financeiros apontam transferências milionárias da J&F para escritório que leva o nome do ex-governado


Contrato do PicPay com GDF entra na mira após repasses milionários a escritório ligado a Ibaneis

A operação do Ministério Público Federal que investiga possíveis irregularidades em descontos realizados na folha de pagamento de servidores públicos do Distrito Federal ganhou novos desdobramentos após a revelação de movimentações financeiras envolvendo o grupo J&F e um escritório de advocacia ligado ao ex-governador Ibaneis Rocha.

As suspeitas surgiram após o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) identificar indícios de irregularidades em operações relacionadas ao serviço de adiantamento salarial oferecido pelo banco digital PicPay aos servidores do GDF. Em março deste ano, a Secretaria de Economia do DF suspendeu o programa após recomendações do órgão de controle.

O contrato investigado foi firmado entre o PicPay, empresa pertencente ao grupo J&F, e o Banco de Brasília (BRB), responsável pela gestão da folha salarial dos servidores públicos distritais. A parceria permitia que funcionários do governo acessassem linhas de crédito consignado por meio da plataforma digital.

Segundo informações que chegaram à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, relatórios produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam que o escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria recebeu R$ 1 milhão do grupo J&F apenas quatro dias após o cadastramento do PicPay junto ao governo do Distrito Federal.

Os documentos indicam ainda que, entre outubro de 2024 e outubro de 2025, o escritório recebeu cerca de R$ 34 milhões da J&F em 15 operações financeiras distintas. As movimentações foram comunicadas pelo Banco Santander ao Coaf e posteriormente encaminhadas à CPMI.

As informações passaram a integrar o conjunto de apurações que investigam possíveis favorecimentos, conflitos de interesse e eventuais irregularidades na autorização e operacionalização dos serviços financeiros oferecidos aos servidores públicos.

Até o momento, não há decisão judicial apontando ilegalidade nas transferências ou responsabilização dos envolvidos. As investigações seguem em andamento e buscam esclarecer a natureza dos pagamentos, a relação entre os contratos firmados e a eventual existência de vantagens indevidas.

O caso amplia a pressão sobre os órgãos responsáveis pela fiscalização das operações financeiras ligadas à administração pública do Distrito Federal e pode gerar novos desdobramentos tanto na esfera administrativa quanto no campo político.




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