Alzheimer faz FHC esquecer capítulos da própria história política
Ex-presidente que ajudou a criar o Plano Real e governou o Brasil por oito anos enfrenta estágio avançado da doença e já não consegue recordar parte da trajetória que marcou o país
Foto: Agência Brasil Aos 95 anos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso vive uma das fases mais delicadas de sua vida. Diagnosticado com Alzheimer em estágio avançado, FHC teve a interdição civil decretada pela Justiça de São Paulo, que transferiu ao filho Paulo Henrique Cardoso a responsabilidade pela administração de seus atos civis, patrimoniais e financeiros.
A doença, que compromete progressivamente a memória e as funções cognitivas, faz com que o ex-presidente já não consiga se lembrar de diversos momentos importantes de sua própria história, segundo informações divulgadas por familiares e especialistas que acompanham casos semelhantes.
O caso chama atenção pelo peso da trajetória de Fernando Henrique na história recente do Brasil. Sociólogo reconhecido internacionalmente, ele foi ministro da Fazenda no governo Itamar Franco e um dos principais articuladores do Plano Real, programa econômico que ajudou a controlar a hiperinflação e mudou a vida dos brasileiros na década de 1990.
Em seguida, FHC foi eleito presidente da República em 1994 e reeleito em 1998, governando o país entre 1995 e 2002. Seus governos ficaram marcados pela consolidação do Plano Real, reformas econômicas, privatizações, criação de agências reguladoras e programas sociais que serviriam de base para políticas públicas posteriores.
Agora, porém, a doença apaga justamente as lembranças de uma trajetória que ajudou a moldar o Brasil contemporâneo.
Especialistas explicam que pacientes com Alzheimer avançado podem perder a capacidade de recordar fatos marcantes da vida, reconhecer pessoas próximas e até compreender plenamente a própria história. A interdição judicial ocorre justamente quando a capacidade de administrar a própria vida fica comprometida.
A decisão da Justiça não afeta apenas questões patrimoniais. Ela simboliza também o encerramento de um ciclo de uma das figuras mais influentes da política brasileira nas últimas décadas. Depois de anos atuando como referência intelectual, articulador político e voz frequente nos debates nacionais, Fernando Henrique passa a travar uma batalha silenciosa contra uma doença que não distingue anônimos de chefes de Estado.
Para muitos brasileiros, fica a imagem de um presidente que participou da estabilização da economia e marcou uma geração. Para a medicina, permanece o alerta: o Alzheimer continua sendo uma das doenças neurodegenerativas mais desafiadoras da atualidade, capaz de apagar até mesmo as memórias de quem ajudou a escrever a história de um país.




COMENTÁRIOS