Única alternativa política do DF passa por Kiko Caputo
Candidato do Novo possui independência política para atrair parcela do eleitorado que buscam alternativa aos grupos tradicionais do DF
Foto: Reprodução Brasília nasceu como um projeto de futuro. Mais de seis décadas depois da inauguração da capital, o debate eleitoral de 2026 coloca novamente diante do Distrito Federal uma pergunta sobre o futuro: qual cidade os brasilienses querem construir para as próximas décadas?
É a partir dessa pergunta que o candidato do Novo ao Governo do Distrito Federal, Kiko Caputo, tenta construir sua campanha.
Em vez de apresentar a eleição apenas como uma disputa entre nomes, Kiko procura transformá-la em uma escolha entre modelos de administração. De um lado, o que chama de velha política, marcada por grupos que se alternam no poder e por decisões de curto prazo. Do outro, uma proposta que pretende combinar renovação política, planejamento, responsabilidade fiscal, tecnologia e cobrança por resultados.
A expressão que sintetiza essa proposta é conhecida: “choque de honestidade”.
Mas, para Kiko, a mudança não se resume a uma frase de campanha. Ela começa pela própria relação entre política e administração pública.
Relação com Brasília
Kiko chegou ao Distrito Federal em 1973. Ao longo de mais de cinco décadas, acompanhou as transformações de Brasília, de uma capital ainda em consolidação para uma metrópole com mais de três milhões de habitantes.
Essa relação com a cidade é um dos elementos utilizados pelo candidato para explicar sua visão sobre o momento atual.


Durante o primeiro debate entre os candidatos ao GDF, Kiko resumiu parte dessa memória ao afirmar:
“Eu vivi uma cidade que funcionava.”
A frase ajuda a explicar o diagnóstico apresentado por sua candidatura.
Na avaliação de Kiko, Brasília perdeu parte da capacidade de planejamento e execução que marcou períodos importantes de sua história. O crescimento populacional, a expansão das regiões administrativas e o aumento da demanda por serviços públicos não teriam sido acompanhados, na mesma velocidade, por uma modernização da gestão.
O resultado, segundo o candidato, é um Distrito Federal que possui recursos e estrutura para entregar muito mais, mas que convive diariamente com problemas conhecidos da população.
É nesse ponto que sua candidatura tenta estabelecer uma diferença em relação aos grupos políticos tradicionais.
"Sem rabo preso"
Outro elemento central da candidatura é a independência política. Kiko afirma que conseguiu construir seu plano de governo sem ficar condicionado a compromissos com grupos tradicionais ou estruturas que já participaram do poder no Distrito Federal.
A expressão utilizada pelo candidato é direta: “não temos rabo preso com ninguém”.

Para Kiko, essa independência permite apresentar propostas sem a necessidade de preservar interesses políticos previamente estabelecidos.
“Nós não temos compromisso com ninguém. O nosso partido tem compromisso com a população do Distrito Federal”, afirma.
A estratégia também coloca Kiko em uma posição de confronto com aquilo que ele classifica como uma direita que já teve oportunidades de governar Brasília.
O candidato questiona o desempenho dos últimos governos e procura ocupar o espaço de uma direita que, em sua avaliação, ainda não teria conseguido entregar a transformação prometida.
“Nós não podemos errar mais. Esses últimos governos que nós tivemos aqui falharam com a nossa comunidade. E nós não temos o direito de falhar de novo”, declarou.
É nesse ambiente que o Novo tenta apresentar Kiko como uma alternativa aos nomes que já fazem parte da história recente da política brasiliense.
“Independência política”
Se a independência política representa a origem do projeto, o “choque de honestidade” é a expressão que resume o tipo de governo defendido por Kiko. A proposta envolve transparência, controle dos gastos públicos, combate à corrupção e maior rigor na administração dos recursos.
Mas o conceito também está relacionado à eficiência. Para o candidato, honestidade não deve ser entendida apenas como ausência de corrupção. Deve significar também respeito ao dinheiro público e capacidade de transformar orçamento em serviços. Um governo pode gastar bilhões e ainda assim entregar pouco à população. É justamente essa lógica que Kiko pretende combater.
A pergunta que atravessa seu discurso é simples: quanto o cidadão recebe de volta em serviços públicos por aquilo que paga em impostos?
Plano de governo para 30 anos

eleição e estabelecer uma visão de longo prazo para o desenvolvimento do Distrito Federal. O plano reúne propostas para segurança, saúde, educação, tecnologia, gestão pública, responsabilidade fiscal, infraestrutura e valorização dos servidores.
“A mudança que o DF precisa não acontece mantendo tudo como está”, afirma Kiko.
Para o candidato, Brasília precisa recuperar a capacidade de pensar além do próximo ciclo eleitoral. A ideia é que uma administração defina hoje as bases para que a capital esteja preparada para as próximas décadas.
Segurança e tecnologia
Na segurança pública, a proposta de Kiko parte da integração das estruturas existentes. O plano prevê maior articulação entre forças de segurança, Defesa Civil, trânsito e centros de comando, com compartilhamento de informações e ampliação do uso de tecnologia. Videomonitoramento inteligente, drones, cercamento eletrônico, reconhecimento de placas e análise de dados aparecem como ferramentas para aumentar a capacidade de prevenção e resposta do Estado.
A proposta também contempla segurança nas escolas, proteção de áreas rurais e infraestruturas críticas, combate ao crime organizado e aos crimes cibernéticos, além do enfrentamento à violência contra mulheres e grupos vulneráveis.
Para o sistema penitenciário, Kiko defende o fortalecimento da Polícia Penal e a modernização das unidades. A lógica é transformar tecnologia e inteligência em instrumentos permanentes de prevenção, e não apenas em respostas depois que o crime acontece.
Saúde: Não basta construir e prometer, é preciso fazer
Na saúde, Kiko faz uma crítica semelhante. A discussão, segundo ele, não pode se limitar à construção de hospitais. É necessário fazer a estrutura existente funcionar melhor.
O candidato defende contratação de profissionais, fortalecimento da atenção básica, ampliação de mutirões e melhoria da gestão hospitalar. A lógica é atacar um dos principais problemas enfrentados pelos pacientes: o tempo de espera. Para Kiko, uma gestão mais eficiente pode aumentar a capacidade de atendimento sem depender exclusivamente da construção de novas unidades.
“A gente pode aumentar o número de leitos, dando eficiência ao sistema de administração do hospital”, afirmou.
Ao mesmo tempo, o plano prevê investimentos em novas estruturas diante do crescimento populacional do DF.
O servidor como parte principal
“O servidor público é uma prioridade do nosso governo. É ele que vai tirar o GDF desse atoleiro atual”, afirma.
A proposta também procura romper com uma visão segundo a qual o servidor público seria apenas parte da estrutura burocrática. Para Kiko, o funcionalismo é justamente quem terá de executar as mudanças prometidas. Por isso, o plano prevê diálogo com as categorias, melhores condições de trabalho, formação e desenvolvimento profissional e recomposição das carreiras.
A estratégia inclui principalmente profissionais de saúde, educação e segurança. A avaliação do candidato é que não existe serviço público de qualidade sem profissionais preparados, valorizados e com estrutura para trabalhar.
Responsabilidade fiscal
A mudança defendida por Kiko também passa pela maneira como o governo lida com o orçamento. O candidato define a responsabilidade fiscal como um princípio inegociável. A proposta envolve maior controle dos gastos, transparência, acompanhamento da execução orçamentária e mecanismos de fiscalização. O raciocínio é que nenhum projeto de longo prazo pode existir sem equilíbrio financeiro. Para Kiko, administrar o DF significa escolher prioridades, estabelecer metas e fazer o dinheiro público chegar onde é necessário. Nesse ponto, a candidatura tenta se diferenciar tanto pelo discurso de austeridade quanto pela promessa de transformar economia de recursos em capacidade de investimento.
Uma alternativa coerente
A candidatura de Kiko Caputo representa, portanto, uma tentativa do Novo de transformar a ideia de renovação em um projeto eleitoral para o Distrito Federal. Não se trata apenas de apresentar um novo nome para uma disputa conhecida. A estratégia é convencer o eleitor de que Brasília precisa de uma mudança mais profunda: menos dependência de grupos políticos, mais planejamento; menos promessa, mais execução; menos improviso, mais gestão.

Kiko aposta que existe espaço para um eleitor que não quer simplesmente escolher entre os mesmos grupos que já disputaram o poder. Um eleitor que quer saber quem vai administrar, como vai administrar e, principalmente, como poderá cobrar aquilo que foi prometido.
Esse é o principal desafio da candidatura. A renovação precisa deixar de ser apenas discurso e se transformar em capacidade de convencer o eleitor de que um novo modelo é possível.
É justamente por isso que Kiko insiste em falar de 30 anos, e não apenas de quatro. A eleição de 2026, em sua visão, não deveria decidir somente quem ocupará o Palácio do Buriti até 2030.
Deveria definir qual será o caminho do Distrito Federal nas próximas décadas.
*Texto opinativo. Não reflete, especificamente, a visão do República CMais





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