Kiko Caputo e candidatos ao GDF pedem investigação sobre repasses de R$ 1,4 milhão a empresa ligada à família de Celina Leão; entenda

Grupo foi ao MPDFT para pedir apuração nas áreas cível e criminal sobre pagamentos feitos pela Real JG Facilities à Faceng Engenharia


Kiko Caputo e candidatos ao GDF pedem investigação sobre repasses de R$ 1,4 milhão a empresa ligada à família de Celina Leão; entenda Foto: divulgação Campanha

O candidato ao Governo do Distrito Federal pelo Novo, Kiko Caputo, se reuniu nesta terça-feira (8) com outros concorrentes ao Palácio do Buriti para formalizar, junto ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), um pedido de investigação sobre pagamentos de R$ 1,4 milhão feitos por uma empresa prestadora de serviços ao GDF a uma companhia ligada à família da governadora Celina Leão (PP).

A iniciativa ocorreu após reportagem de O Globo revelar que a Real JG Facilities, empresa que mantém contratos com o governo do Distrito Federal, teria realizado repasses à Faceng Engenharia, ligada a Fabrício Faleiro Ferreira, marido de Celina, e à filha da governadora, Bruna Victória Leão Machado de Araújo.

Além de Kiko Caputo, participaram da iniciativa os candidatos Leandro Grass (PT), José Roberto Arruda (PSD), Paula Belmonte (PSDB), Ricardo Cappelli (PSB), Elisson Ferreira (Agir) e Rico Pinheiro (PRTB).

O grupo foi recebido na sede do MPDFT pelo procurador-geral de Justiça do Distrito Federal, Georges Seigneur. Os candidatos solicitaram que o órgão apure as circunstâncias dos pagamentos e eventual existência de irregularidades nas esferas cível e criminal.

Caputo cobra explicações

Durante a entrega da representação, Kiko Caputo cobrou esclarecimentos da governadora e questionou a natureza dos serviços contratados.

“A gente ainda aguarda as explicações da governadora com relação a esse contrato. Tudo leva a crer que não é um contrato regular”, afirmou.

O candidato também criticou o valor dos pagamentos e a descrição dos serviços relacionados ao contrato.

“Há anos, Brasília não sai das páginas policiais. A população já está de saco cheio de tanta corrupção”, disse.

Caputo afirmou ainda que o movimento tem caráter suprapartidário e defendeu que o Ministério Público atue na apuração das informações apresentadas.

“Eu tenho no meu DNA a luta contra a corrupção”, declarou, ao destacar sua atuação em manifestações políticas anteriores. Segundo o candidato, o objetivo da iniciativa é provocar a atuação das instituições responsáveis pela investigação.

Como ocorreram os pagamentos

Segundo a reportagem de O Globo citada pelos candidatos, a Real JG Facilities teria feito 14 pagamentos de R$ 100 mil, totalizando R$ 1,4 milhão, à Faceng Engenharia.

Os repasses teriam começado em maio de 2025, quando Celina Leão ainda ocupava o cargo de vice-governadora, e continuado até junho de 2026, já durante sua gestão como governadora.

As notas fiscais emitidas pela Faceng descrevem serviços relacionados à execução, administração e acompanhamento de obras de construção civil, hidráulica e elétrica, além de atividades como sondagem, perfuração de poços e escavações.

A reportagem, no entanto, aponta que os documentos não detalham quais obras teriam sido realizadas, os endereços dos serviços, as etapas executadas ou as respectivas medições.

Empresa apresenta explicação

Questionada por O Globo, a assessoria de Fabrício Faleiro Ferreira afirmou que os pagamentos seriam referentes ao acompanhamento e à fiscalização de obras privadas realizadas no Distrito Federal e em Goiás para a Real JG Facilities.

A empresa também informou que não possui contratos de obras diretamente com o Governo do Distrito Federal e afirmou que os trabalhos já foram concluídos.

Não foram apresentados, porém, no material divulgado, detalhes sobre quais obras privadas teriam sido acompanhadas pela empresa.

MPDFT deverá analisar pedido

O pedido apresentado pelos candidatos não representa, por si só, uma conclusão sobre eventual ilegalidade nos pagamentos. A apuração deverá esclarecer a natureza dos serviços contratados, a relação entre as empresas envolvidas e as circunstâncias em que os recursos foram repassados.

O grupo quer que o MPDFT avalie se existem elementos que justifiquem a abertura de procedimentos nas áreas cível e criminal.

A governadora Celina Leão e os demais envolvidos ainda poderão apresentar suas versões e documentos sobre os contratos e os serviços que teriam motivado os pagamentos.

Fonte: Informações fornecidas pela assessoria de Kiko Caputo, com base em reportagem de O Globo.




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