Rússia ataca Kiev após breve pausa para visita de enviados dos EUA

Ataques com mísseis e drones deixaram mortos e feridos na capital ucraniana; Polônia acionou defesa aérea e Reino Unido anunciou novo pacote de ajuda militar

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Rússia ataca Kiev após breve pausa para visita de enviados dos EUA Foto: Stringer / Reuters

A Rússia realizou uma nova onda de ataques contra a Ucrânia na madrugada desta terça-feira (8), atingindo principalmente a região de Kiev e provocando mortes, feridos e danos em imóveis residenciais. A ofensiva ocorreu poucas horas depois da saída da capital ucraniana dos enviados dos Estados Unidos Steve Witkoff e Jared Kushner, que participam dos esforços diplomáticos para tentar encerrar a guerra.

Segundo autoridades locais, os bombardeios deixaram ao menos duas pessoas mortas e dez feridas em Kiev. Edifícios residenciais foram atingidos por destroços, enquanto incêndios foram registrados em diferentes pontos da cidade.

A administração militar da capital informou que pelo menos 14 prédios, além de um alojamento estudantil, uma escola, uma clínica e galpões, sofreram danos.

O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, relatou que moradores ficaram presos em um edifício residencial após os ataques.

Ucrânia diz ter interceptado dezenas de armas

A Força Aérea da Ucrânia informou que a Rússia lançou dezenas de mísseis e 166 drones durante a madrugada, com ataques concentrados principalmente nas regiões de Kiev e Odessa.

Segundo os militares ucranianos, foram destruídos ou interceptados 142 drones, 31 dos 32 mísseis de cruzeiro e dois mísseis balísticos.

O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia relacionou o ataque diretamente ao momento diplomático. O chanceler Andrii Sybiha afirmou que a ofensiva ocorreu logo após a saída dos negociadores americanos do país.

Em uma publicação nas redes sociais, Sybiha pediu maior pressão internacional sobre Moscou e reforço da defesa aérea ucraniana.

Rússia também relata ataques ucranianos

Enquanto Kiev era alvo da ofensiva russa, autoridades da Rússia informaram ataques realizados por drones ucranianos.

Na região de Saratov, às margens do rio Volga, autoridades disseram que instalações de infraestrutura foram atingidas e que houve feridos. A área abriga uma grande refinaria da estatal Rosneft, além de outras instalações industriais e militares.

Na região de Bryansk, próxima à fronteira com a Ucrânia, uma pessoa morreu em um ataque na cidade de Starodub, segundo o governador interino Yegor Kovalchuk.

O Ministério da Defesa russo afirmou que os ataques realizados contra a Ucrânia tiveram como alvos instalações militares e de logística em Kiev, na região ao redor da capital e no porto de Chornomorsk, no Mar Negro.

Polônia mobiliza aeronaves

A ofensiva russa também provocou uma reação preventiva da Polônia, integrante da Otan e da União Europeia.

O Exército polonês informou que mobilizou aeronaves e ativou operações de proteção do espaço aéreo diante dos ataques realizados pela Rússia. O aeroporto de Lublin, no leste do país, chegou a suspender temporariamente suas operações.

A movimentação ocorre em meio ao aumento da preocupação entre países europeus com a expansão dos ataques com drones. Segundo levantamento citado pelo g1, drones relacionados ao conflito entre Rússia e Ucrânia já cruzaram ou caíram em pelo menos 20 países europeus nos últimos dois anos.

Reino Unido anuncia nova ajuda militar

Também nesta terça-feira, o Reino Unido anunciou um pacote de 100 milhões de libras, equivalente a cerca de R$ 692 milhões, para reforçar a defesa aérea da Ucrânia.

O auxílio inclui o fornecimento de equipamentos e mísseis Patriot, considerados fundamentais para a proteção das cidades ucranianas contra ataques de longo alcance.

A nova ajuda ocorre justamente enquanto os países europeus aumentam a pressão por garantias de segurança para Kiev em meio às negociações promovidas pelos Estados Unidos.

Negociações ainda enfrentam obstáculos

Os novos ataques acontecem após uma série de reuniões entre representantes da Rússia, da Ucrânia e dos Estados Unidos.

Steve Witkoff e Jared Kushner, enviados pelo presidente americano Donald Trump, estiveram recentemente em Moscou e Kiev na tentativa de aproximar as partes e criar condições para um acordo que encerre a guerra iniciada com a invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

Após os encontros, houve expectativa de novos contatos diplomáticos, mas ainda não está definido quando ou onde poderá ocorrer uma próxima reunião entre os governos envolvidos.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou que as conversas recentes foram construtivas e que novos contatos já estão sendo preparados.

Segundo Zelensky, entre os temas discutidos estão o fortalecimento da defesa aérea, a cooperação tecnológica e a preparação da Ucrânia para o próximo inverno.

A nova ofensiva em Kiev, entretanto, mostra a distância entre os esforços diplomáticos e a realidade no campo de batalha. Enquanto Estados Unidos e aliados tentam abrir caminho para um acordo, Rússia e Ucrânia continuam trocando ataques de grande escala, mantendo elevada a tensão no leste europeu.

Com informações do g1 e Reuters.




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