Morre Ramiro Valdés, herói revolucionário e ex-vice-presidente de Cuba, aos 94 anos
Aliado de Fidel Castro desde os primeiros dias da guerrilha, Ramiro Valdés participou da tomada do poder em 1959 e permaneceu influente no governo cubano até os últimos anos de vida
Foto: REUTERS/Norlys Perez/File Photo A morte de Ramiro Valdés encerra mais um capítulo da geração que protagonizou a Revolução Cubana. Considerado um dos principais comandantes históricos do movimento liderado por Fidel Castro, Valdés morreu aos 94 anos, segundo informou o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel.
Figura central da revolução que transformou Cuba em 1959, Valdés participou dos momentos decisivos da luta armada contra o governo de Fulgencio Batista e permaneceu por décadas entre os homens mais poderosos do regime cubano.
Em mensagem publicada nas redes sociais, Díaz-Canel lamentou a morte do dirigente e afirmou que sua partida "dói profundamente, como a de um pai". A causa da morte não foi divulgada pelas autoridades cubanas.
Nascido em 1932, Ramiro Valdés tinha apenas 21 anos quando participou do ataque ao Quartel Moncada, considerado o marco inicial da revolução liderada por Fidel Castro. Anos depois, integrou o grupo que desembarcou em Cuba a bordo do histórico iate Granma, em 1956, para reiniciar a insurreição contra o regime de Batista.
Ao lado de Fidel Castro, Raúl Castro e Ernesto Che Guevara, Valdés participou das batalhas que culminaram na tomada do poder pelos revolucionários em janeiro de 1959. Posteriormente, assumiu funções estratégicas no novo governo, incluindo o comando dos órgãos de segurança do Estado.
Ao longo das décadas, ocupou cargos de destaque, como ministro do Interior, vice-ministro da Defesa, ministro das Comunicações, vice-presidente de Cuba e vice-primeiro-ministro. Mesmo já nonagenário, continuava participando de atividades oficiais e acompanhando temas ligados à infraestrutura e ao sistema elétrico do país.
Conhecido pelo estilo austero, pelo tradicional uniforme verde-oliva e pela fidelidade absoluta ao regime instaurado pelos irmãos Castro, Valdés era visto como um dos últimos representantes vivos da geração revolucionária que moldou a política cubana durante mais de seis décadas.
Sua morte ocorre em um momento de profundas dificuldades econômicas para Cuba, que enfrenta crises energéticas, escassez de produtos básicos e crescente pressão social. Com sua partida, desaparece mais uma das figuras históricas diretamente ligadas aos eventos que mudaram os rumos da ilha no século XX.
*Com informações da Reuters via g1.




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