O xadrez político e bastidores de uma debandada: saída de Aragão da defesa de ex-presidente do BRB amplia tensão no Buriti
Rompimento acontece em meio a negociações de delação que preocupam núcleo político do DF
Foto: Rafael Lavenère/BRB A saída do advogado Eugênio Aragão da defesa de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), acendeu ainda mais o clima de tensão nos bastidores políticos do Distrito Federal.
O rompimento foi anunciado na terça-feira (19) e ocorre justamente no momento em que avançam as negociações de uma possível delação premiada envolvendo o ex-comandante do banco estatal.
Nos corredores do poder em Brasília, a avaliação é de que a decisão vai muito além de um simples desentendimento jurídico. A leitura predominante é de que o movimento reflete a preocupação crescente do grupo político ligado ao governador Ibaneis Rocha (MDB) e à vice-governadora Celina Leão (PP) com os possíveis impactos da colaboração de PH Costa junto à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República. Mas o que de fato constrói todo esse capítulo?
O que disse Eugênio Aragão?
Em nota oficial, Aragão afirmou que deixou o caso por discordar do conteúdo da possível delação e alegou não enxergar “provas consistentes e inequívocas” nas informações que seriam apresentadas pelo ex-presidente do BRB.
Apesar da justificativa formal, integrantes do meio político interpretam a saída como um gesto estratégico. Na prática, a avaliação é de que o afastamento de um ex-subprocurador-geral da República enfraquece publicamente a credibilidade da colaboração antes mesmo de ela avançar oficialmente.
O fantasma do Banco Master
O centro da crise envolve as investigações sobre o Banco Master. A apuração analisa operações ligadas à venda de carteiras consideradas fraudulentas ao BRB e também a tentativa de compra do banco estatal pelo empresário Daniel Vorcaro.
O caso se tornou uma das maiores preocupações políticas do Palácio do Buriti porque pode atingir figuras centrais do atual governo do Distrito Federal.
O ponto de preocupação para Ibaneis
Nos bastidores, aliados avaliam que um eventual anexo da delação citando diretamente Ibaneis Rocha teria forte impacto político na reta final do mandato do governador.
Outro detalhe que aumentou os alertas dentro do governo foi a troca anterior da defesa de PH Costa. Antes de Aragão, o advogado Cléber Lopes atuava no caso e também representa Ibaneis Rocha em outros processos. A mudança foi vista como um sinal de rompimento entre o ex-presidente do BRB e antigos aliados políticos.
Celina tenta evitar desgaste político
Para a governadora Celina Leão, que articula sua candidatura ao governo do DF em 2026, o avanço das investigações também representa um risco político relevante.
Integrantes do grupo governista avaliam que qualquer desgaste envolvendo o BRB pode contaminar diretamente o projeto eleitoral construído por Celina nos bastidores. Por isso, há um esforço interno para impedir que o caso ganhe dimensões ainda maiores.
Como fica a situação de PH Costa?
Após a saída de Aragão, Paulo Henrique Costa segue negociando a delação com o advogado Davi Tangerino.
Sem o respaldo político e institucional que a presença de Aragão representava, aliados do governo acreditam que a estratégia agora será tentar descredibilizar o conteúdo da colaboração antes que ela avance oficialmente no Judiciário.




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