Aliança PL e Celina reforça a sensação de que os bastidores da política continuam mais preocupados com poder do que com os problemas reais de Brasília
O PL resolveu antecipar, mentalmente, a eleição no Distrito Federal como quem acredita que o jogo político pode ser decidido apenas em gabinetes, acordos nacionais e demonstrações de força partidária.
Em entrevista à CNN na última terça-feira (12), o presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, afirmou que vai apoiar a candidatura da atual governadora Celina Leão na disputa pelo Governo do Distrito Federal.
Durante a declaração feita durante uma entrevista ao âncora Gustavo Uribe, da CNN Brasil, Valdemar ainda demonstrou confiança na força política de Celina e no desempenho eleitoral da pré-candidata.
“Vamos apoiar Celina, vamos com Celina e temos certeza que ela irá ganhar”, declarou o dirigente nacional do PL.
A fala reforça a aproximação entre o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a base da atual governadora DF, ampliando o efeito das articulações da gestora para as eleições 2026 no Distrito Federal.
O anúncio de apoio a Celina Leão não soa como construção democrática. Soa como imposição antecipada de um projeto de poder.
Ao colocar Michelle Bolsonaro e Valdemar Costa Neto no centro dessa articulação, o partido deixa claro que o objetivo não é discutir os problemas reais do DF, mas transformar Brasília em um troféu político nacional. A população continua enfrentando problemas na saúde, no transporte, na segurança e no custo de vida, enquanto a elite política parece mais preocupada em montar palanque para 2026.
Celina Leão ganha musculatura política? Sem dúvida. Mas também passa a carregar o peso de uma aliança construída muito mais na lógica da máquina e do apadrinhamento do que no debate público. Quando um partido “fecha questão” tão cedo, o que se transmite é a velha política de mandatários escolhendo candidatos antes mesmo de ouvir as ruas.
E existe um detalhe curioso nessa narrativa vendida pelo PL: tentam embalar tudo como símbolo de renovação e protagonismo feminino, quando, na prática, o movimento continua sendo comandado pelos mesmos grupos políticos de sempre. Muda-se o rosto da campanha, mas os métodos continuam idênticos.
No fim, o que o eleitor do Distrito Federal precisa se perguntar é simples: esse apoio nacional representa realmente um projeto para melhorar Brasília ou apenas mais um capítulo da disputa de poder entre grupos políticos que enxergam o DF como peça estratégica no tabuleiro nacional?
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